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Como Jogar os Pares de AA no PLO5: Guia Baseado em GTO

A mão mais forte do PLO5 também é uma das mais mal jogadas — e o erro não está em jogar demais, está em tratar todo AA como se fosse igual.

Se tem uma mão que todo jogador de Pot Limit Omaha 5 Cards acha que já domina, é o par de Ás. Afinal, é a melhor mão inicial do jogo — como você jogaria errado com ela? O problema é que, justamente por parecer óbvia, o par de Ás é uma das mãos mais mal jogadas do PLO5, e o erro quase nunca está em jogar ela demais. Está em tratar todo AA como se fosse igual.

Neste post, vamos destrinchar como jogar AA de forma sólida e lucrativa, com base em solver e sem depender de intuição — a mesma intuição que, até poucos anos atrás, levava a maioria dos jogadores a acreditar em uma regra que hoje sabemos que é rasa demais.

O mito do “all-in sempre lucrativo”

Antes de existirem solvers acessíveis para Omaha5 como o PLO5 Trainer, por exemplo, que só ficou popular por volta de 2021/2022, a crença geral era simples: se você conseguisse colocar pelo menos metade do seu stack no pote com AA, a jogada era automaticamente lucrativa. Essa era a régua usada por praticamente todo mundo que estudava o jogo na época.

O solver mostrou que esse raciocínio é raso. Nem todo par de Ás é igual, e tratar todos como a mesma mão é um jeito garantido de deixar EV na mesa ou, pior, de perder dinheiro em spots que pareciam “óbvios”.

O que realmente faz um AA forte

Uma mão forte de Omaha5 se apoia em quatro pilares: potencial de nuts, conectividade, cartas altas e suiteds. Quando você tem um par de Ases, o pilar “cartas altas” já vem de graça — mas isso sozinho não decide nada. O que realmente determina a força do seu AA são os outros três pilares, expressos em duas perguntas:

  • O par é single suited ou double suited? Quanto mais suiteds, maior o potencial de nuts.
  • As side cards são conectadas entre si, ou são cartas soltas sem relação nenhuma com o resto da mão?

Um AA com side cards baixas e desconectadas — tipo um AA72 qualquer — é uma mão consideravelmente mais fraca do que um AA com cartas médias conectadas, e assim por diante.

Vale destacar também um detalhe que passa despercebido: ter uma trinca na mão (três cartas iguais, incluindo os próprios Ases) enfraquece a mão, mesmo que ela seja double suited. Trincas jogam mal em Omaha porque, em vez de três cartas diferentes trabalhando juntas, você tem duas delas “duplicadas” bloqueando seus próprios outs.

Em termos de distribuição: o par de Ases representa cerca de 4% de todas as mãos possíveis no Omaha 5 cartas, e aproximadamente 45% desses AA são double suited — a mesma proporção que se aplica a qualquer mão do jogo.

Open raise: joga praticamente sempre, de qualquer posição

Aqui está a parte mais tranquila: com AA, você abre de praticamente qualquer posição, sem muita cerimônia.

Do UTG (a posição mais tight da mesa), a fração de mãos que não compensa abrir é ínfima — estamos falando de uma fatia irrisória, composta quase inteiramente pelas piores trincas de Ás possíveis (tipo trinca de Ás com 7-2, 3-2, 4-2 ou 6-2). Fora essas exceções, o open é praticamente unânime.

Das demais posições — MP, CO, BTN e SB — a régua é a mesma: você abre a esmagadora maioria dos seus AA, com raríssimas exceções, sempre as mesmas trincas fracas.

Na prática: se você está foldando AA pré-flop no open porque “a mão não parece boa”, provavelmente está deixando dinheiro na mesa. As únicas exceções de verdade são as trincas de Ás mais deficientes.

Jogando contra um open raise: quando 3-betar e quando só pagar?

Aqui é onde o jogo fica mais interessante — e onde a maioria erra por simplificar demais ou por decorar regras genéricas demais.

A lógica prática, que vale para praticamente todas as posições quando você está em posição, é a seguinte:

  • AA double suited: 3-bet sempre. Não tem muito o que pensar aqui — a composição já é forte o suficiente para acelerar.
  • AA single suited com boa conectividade: também 3-bet. A força vem da conectividade das side cards, não só do suited.
  • AA single suited com conectividade ruim (ou triple suited com composição fraca): aqui você passa a dar call em vez de 3-betar. A mão ainda é boa o bastante pra jogar, mas não o bastante pra acelerar.
  • Trincas de Ás e composições muito ruins: fold, ou call nos casos limítrofes.

Um jeito simples de guardar essa lógica: quanto mais “suited” e mais conectada a mão, mais ela pede 3-bet. Quanto mais ela depende só do par em si, mais ela pede call ou, no limite, fold.

Fold pré-flop com AA: raro, mas existe

Um erro comum é achar que nunca se folda AA pré-flop. Na prática, o fold existe, só que é raro e concentrado em cenários bem específicos: geralmente fora de posição, contra 3-bet, com uma trinca de Ás ruim ou um AA off-suit sem conexão nenhuma com o resto da mão (tipo A-A com 2, 9 e 5 soltos). Nesses casos, mesmo sendo par de Ases, a mão não tem jogabilidade para o pós-flop, principalmente OOP.

Fora essas exceções pontuais, o fold de AA contra 3-bet é raríssimo — principalmente quando você está em posição, cenário em que praticamente não existe fold.

Contra um 3-bet muito forte (ex: BB x UTG): call pode ser melhor que 4-bet

Um detalhe que muita gente ignora: quando o 3-bet vem de um range muito apertado — por exemplo, quando o big blind 3-beta o UTG, o que acontece pouquíssimas vezes (algo como 2% das mãos, quase todo composto pelo próprio AA) — dar call com o seu AA pode valer mais do que dar 4-bet. Faz sentido: se o range do oponente já é majoritariamente AA também, acelerar não faz sentido se o seu AA não for dos mais fortes.

Na prática, mais da metade dos AA jogados nesse spot são jogados de call, não de 4-bet, justamente por esse motivo.

Erro pequeno vs. erro grave: onde focar seus estudos?

Um conceito importante — e que vale para qualquer decisão de pré-flop, não só com AA — é a diferença entre um erro pequeno e um blunder.

Quando a diferença de EV entre duas linhas é pequena (por exemplo, entre dar call ou 3-betar uma mão limítrofe), qualquer escolha que você fizer tem um custo baixo. Mas quando a diferença de EV é grande — por exemplo, quando a decisão certa era fold e você decide dar 4-bet — o erro é muito mais caro. O solver classifica esse tipo de decisão como um blunder justamente por isso.

Isso muda onde você deveria focar seu estudo: em vez de tentar decorar cada uma das milhares de combinações possíveis de AA (ninguém tem cérebro pra isso), o mais eficiente é internalizar a estrutura por trás da mão — suited, conectividade, composição — e usar isso para tomar decisões consistentes. Você vai errar, isso é inevitável, mas vai errar pouco, e principalmente vai evitar os erros grandes.

Resumo prático

  • AA representa cerca de 4% das mãos no PLO5, e 45% dos AA são double suited.
  • Abra AA de praticamente qualquer posição — as únicas exceções relevantes são as trincas de Ás mais fracas.
  • 3-bet sempre com AA double suited e com single suited de boa conectividade.
  • Call com AA single suited de conectividade fraca ou triple suited fraco.
  • Fold só nos casos bem específicos: trincas ruins ou AA off-suit totalmente desconectado, geralmente fora de posição.
  • Contra ranges de 3-bet muito fortes (como BB x UTG), considere call em vez de 4-bet.
  • Estude a estrutura da mão (suited, conectividade, composição), não a decoreba — é isso que evita os erros grandes.

Este post é baseado na aula “Jogando AA e KK”, disponível na íntegra na plataforma. No próximo post, vamos falar sobre os pares de KK — par alto que pede uma estratégia bem diferente.

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